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Ignorar o ciclo menstrual pode comprometer rendimento das tenistas

  • 30 de jul.
  • 4 min de leitura
Foto: Akira Ando/Kinoshita Group Japan Open
Foto: Akira Ando/Kinoshita Group Japan Open

Treinar tenistas do sexo feminino exige atenção a fatores que muitas vezes ainda passam despercebidos no esporte. Entre eles, um dos mais importantes e frequentemente negligenciado: o ciclo menstrual.


No tênis, modalidade que exige resistência, potência, velocidade, tomada de decisão, coordenação motora e controle emocional, alterações hormonais podem influenciar diretamente a forma como a atleta responde aos treinos e competições.


Ainda hoje, muitos treinadores não observam os sintomas que podem surgir mensalmente e acabam interpretando alterações de comportamento ou rendimento como falta de motivação, desinteresse ou queda de comprometimento.


Ignorar esse processo fisiológico é perder uma oportunidade valiosa de individualizar o treinamento e cuidar melhor da atleta.


Muitas vezes, o que parece falta de motivação ou queda de rendimento é apenas uma resposta fisiológica do organismo feminino, algo que merece atenção e ajustes inteligentes no treinamento.


Ciclo menstrual não afeta da mesma forma

O primeiro ponto importante é entender que não existe uma regra absoluta.


Algumas tenistas treinam e competem praticamente sem sintomas. Outras apresentam desconfortos importantes, como:

  • cólicas;

  • inchaço abdominal;

  • fadiga aumentada;

  • sensibilidade muscular;

  • alterações de humor;

  • irritabilidade;

  • ansiedade;

  • dificuldade de concentração;

  • distúrbios do sono;

  • dor lombar;

  • sensibilidade mamária;

  • sensação de pernas pesadas.


No tênis, onde a tomada de decisão rápida, explosão muscular, resistência, precisão técnica e estabilidade emocional são fundamentais, essas alterações podem ter impacto significativo.


A atleta pode parecer “sem energia”, mais lenta nos deslocamentos, menos tolerante ao esforço ou emocionalmente mais vulnerável — e, muitas vezes, isso é interpretado erroneamente como falta de foco ou baixa entrega.


Por isso, compreender o ciclo menstrual pode ser uma ferramenta importante para melhorar rendimento, bem-estar e relação entre atleta e equipe.


Como as fases do ciclo impactam o treinamento?

Fase menstrual (dias 1 a 5)

Nesse período, algumas atletas podem sentir maior desconforto físico, fadiga ou cólicas.


No tênis, dependendo da intensidade dos sintomas, pode haver menor tolerância ao esforço e pior sensação física durante treinos intensos.


A recomendação não é parar de treinar, mas individualizar as cargas, priorizando qualidade técnica, mobilidade, prevenção de lesões e pequenos ajustes no volume quando necessário.


Fase folicular (dias 6 a 13)

Com a elevação gradual do estrogênio, muitas atletas relatam melhora da energia, humor e recuperação.


Frequentemente é um momento favorável para treinos de maior intensidade, potência, velocidade, mudanças de direção e maior exigência técnica.


Ovulação (aproximadamente no 14º dia)

Algumas atletas percebem alta disposição física e boa resposta ao treinamento.


Pode ser um período interessante para estímulos intensos e trabalhos coordenativos. Embora ainda exista debate científico sobre o tema, alguns estudos sugerem atenção especial ao controle de cargas e prevenção de lesões ligamentares em determinadas atletas nesse período, especialmente em joelhos e tornozelos, algo relevante em um esporte de mudanças bruscas de direção como o tênis.


Fase lútea / TPM (dias 15 a 28)

É uma fase em que várias atletas relatam maior fadiga, irritabilidade, retenção de líquidos e alterações emocionais.


Em alguns casos, pequenas reduções no volume ou ajustes na intensidade podem ajudar a preservar rendimento e recuperação.


O segredo não é reduzir exigência, mas ajustar o treinamento ao momento da atleta.


Monitorar é melhor do que adivinhar

Hoje existem aplicativos que podem ajudar atletas e treinadores a monitorar o ciclo menstrual e identificar padrões individuais.


Entre os mais utilizados estão:

  • Clue — bastante utilizado por seu embasamento científico e monitoramento detalhado de sintomas;

  • Flo — aplicativo simples e popular para acompanhar sintomas, humor e ciclo;

  • Apple Health e Samsung Health — permitem integrar dados de sono, recuperação e bem-estar.


Mais importante do que o aplicativo é criar o hábito de observar padrões.


Com o tempo, treinador e atleta conseguem perceber momentos de maior energia, recuperação ou maior sensibilidade ao treinamento, favorecendo decisões mais inteligentes sobre as cargas de treino.


Onde o mapeamento genético esportivo pode ajudar?

Se o ciclo menstrual já mostra que mulheres respondem de forma diferente ao treinamento, o mapeamento genético esportivo realizado pela 5º SET – TFI (Treinamento Físico Inteligente) pode ampliar ainda mais essa individualização.


A análise genética ajuda a compreender tendências relacionadas à força muscular, recuperação, resposta inflamatória, metabolismo energético, capacidade antioxidante e predisposição a lesões.


Na prática, isso auxilia treinadores e preparadores físicos a ajustar melhor cargas, recuperação e estratégias de treino de acordo com a individualidade biológica da atleta.


É importante reforçar: o mapeamento genético não determina desempenho, nem prevê sucesso esportivo. Ele deve ser entendido como uma ferramenta complementar para ajudar a orientar decisões de treinamento com mais precisão.


No esporte moderno, compreender a individualidade biológica da atleta deixou de ser diferencial e está se tornando necessidade.


Conclusão

No tênis feminino, compreender o ciclo menstrual não significa fragilizar a atleta ou reduzir exigências.


Significa treinar com mais inteligência.


Da mesma forma que individualizamos cargas por idade, calendário competitivo, histórico de lesões e recuperação, compreender as respostas do organismo feminino pode melhorar rendimento, reduzir desgaste e favorecer a longevidade esportiva.


Para tenistas competitivas, esse entendimento pode contribuir para melhor organização das cargas, recuperação e rendimento em treinos e competições.


Já para tenistas amadoras, um público que frequentemente apresenta muitas dúvidas sobre o tema, conhecer melhor o próprio corpo pode ajudar a reduzir inseguranças, melhorar a disposição para jogar, entender oscilações de energia ao longo do mês e tornar a prática do tênis mais prazerosa e saudável.


Muitas mulheres deixam de jogar ou treinam desconfortáveis sem compreender exatamente o que está acontecendo com o organismo.


A boa notícia é que informação, observação e individualização fazem diferença.


Porque, no esporte moderno – seja no alto rendimento ou no tênis recreativo – treinar todas da mesma forma já não faz sentido.


No tênis feminino, compreender o corpo da atleta também faz parte do treino.



 
 
 

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